Decisões / Comissão de Transparência
Relatório (não é sanção) · 20.01.2026
«Vai para a tua terra»: a Comissão de Transparência fala de «insulto racista e xenófobo» de Filipe Melo e, noutra decisão, de violação grave de Eva Cruzeiro
Numa audição sobre o Orçamento do Estado, em outubro de 2025, Filipe Melo fez gestos de saída à deputada Eva Cruzeiro (PS) e disse-lhe «vai para a tua terra». A Comissão de Transparência qualificou a frase como «insulto racista e xenófobo» e concluiu por violação grave dos deveres, pela segunda vez no caso de Melo. A reação de Melo seguiu-se a afirmações de Eva Cruzeiro; numa participação de Melo, a comissão concluiu que ela também violou gravemente os deveres ao dizer aos deputados do Chega que «não deveriam existir nesta democracia». Os relatórios desta comissão fazem recomendações e não aplicam sanções.
Relatório (não é sanção). Um relatório não é uma sanção nem uma condenação.
Do documento
«a utilização de uma tal expressão, quando dirigida a uma pessoa de raça negra, assume inequivocamente, e sem margem para dúvidas, a forma de um insulto racista e xenófobo»
A 29 de outubro de 2025, numa audição do Ministro da Presidência sobre o Orçamento do Estado para 2026, em reunião de comissões parlamentares, a deputada Eva Cruzeiro (PS) disse, referindo-se ao Chega, que «segundo aquilo que diz a nossa Constituição, nem sequer deveria existir na nossa democracia». Filipe Melo reagiu com três gestos de saída dirigidos a ela. Depois de o líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, defender a honra da bancada, Eva Cruzeiro disse aos deputados do Chega: «Vocês são racistas, são xenófobos e, segundo a nossa Constituição, não deveriam existir nesta democracia.» Melo dirigiu-lhe então várias frases, «entre as quais “vai para a tua terra”». Os relatórios datam a audição de «29 de outubro de 2026», por erro: foi em 2025.
A 20 de janeiro de 2026, num inquérito determinado pelo Presidente da Assembleia na sequência da queixa de Eva Cruzeiro, a comissão concluiu que Melo cometeu violação grave dos deveres dos deputados. Segundo a comissão, Melo negou «a conotação racista e xenófoba da expressão». A comissão escreveu que ter reagido a provocações não torna a conduta desculpável e recomendou que Melo pondere se tem condições para continuar na Mesa, por ser «a segunda vez» que conclui pela violação grave dos seus deveres. Aprovado por maioria, com a abstenção do Chega; o Livre esteve ausente.
A 19 de março de 2026, num inquérito aberto por participação de Melo, com adesão do grupo parlamentar do Chega, a comissão concluiu por unanimidade (Livre ausente) que Eva Cruzeiro também cometeu violação grave dos deveres ao chamar «racistas» e «xenófobos» aos deputados do Chega. Sobre a primeira afirmação dela, dirigida ao partido, escreveu que «ainda se poderá enquadrar dentro dos limites do perímetro da liberdade de expressão». Recomendou-lhe que não volte a chamar «racistas» e «xenófobos» aos deputados do Chega ou de outro partido.
Fontes: Inquérito sobre eventual violação de deveres de Deputado - Filipe Melo (20.01.2026) (Assembleia da República — Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados), 20.01.2026; Inquérito sobre eventual violação de deveres de Deputado - Eva Cruzeiro (19.03.2026) (Assembleia da República — Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados), 19.03.2026
Decisão
- Órgão
- Comissão de Transparência
- Data
- 20.01.2026
- Tipo
- Relatório (não é sanção)
- Visados
- Filipe Melo, Eva Cruzeiro (deputada do PS; relatório de 19/03/2026)
- Última verificação
- 13.10.2026
Encontrou um erro? Diga-nos.